Hospital Garcia de Orta

A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal (CUSCS) promoveu no dia 6 de Abril de 2019, um Debate para análise dos problemas de saúde que os utentes sentem no ACES Almada/Seixal e no Hospital Garcia de Orta.

O Debate, orientado por José Lourenço da comissão de utentes contou com a presença de João Proença, médico, representando a FNAM/SMZS e Joaquim Judas, médico de Medicina do Trabalho e ex-Presidente da Câmara Municipal de Almada e da Assembleia Municipal do Seixal.

Foram discutidas as razões políticas da má cobertura de Médicos de Medicina Geral e Familiar neste ACES, que abrange cerca 340 mil habitantes, a inexistência de Serviços de Atendimento Permanente durante 24 horas, no Seixal, Amora e Almada, e a situação do serviço de urgência geral do HGO, e em particular a
situação dramática da Pediatria.

A ausência de uma política de contratualização atempada para todos os profissionais da saúde, auxiliares de ação médica, administrativos, técnicos, enfermeiros e médicos para os centros de saúde e hospital, incentivou o fecho dos SAPS, estimulou a contratação de médicos para a urgência através de empresas de trabalho temporário, com a consequente destruição dos serviços públicos de saúde, agravando as condições de trabalho de todos os profissionais, a formação pós graduada e consequente qualidade de atendimento aos utentes. Tornou-se assim um incentivo à saída de profissionais qualificados para os grupos privados.

Esta política de saúde prosseguida pelos vários governos, usou os seus nomeados na ARS, ACES, Conselho de Administração do HGO e direções médicas para a sua execução planeada do fecho dos SAP e agora da Urgência do serviço de Pediatria. A partir do dia 13 de Abril de 2019, o serviço de urgência vai fechar, transferindo as crianças deste ACES, dos cuidados hospitalares para os centros de saúde, sem triagem médica.

É inaceitável e irresponsável esta atitude de pôr em causa a qualidade da saúde infantil.

Exige-se a contratação dos médicos pediatras necessários ao HGO e a abertura dos SAPS durante 24 horas, criando melhores condições de trabalho, com apoio técnico básico, e pagamento adequado que atraia e fidelize os profissionais.

Por isso, tendo em conta a gravidade do momento, esta comissão de utentes irá promover uma conferência de imprensa no dia 10 de Abril pelas 12 horas no átrio do HGO, com a presença de dirigentes sindicais dos enfermeiros (Sindicato dos Enfermeiros Portugueses) e médicos (Sindicato dos Médicos da Zona Sul/Federação Nacional dos Médicos) para denunciar e impedir esta política.

A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal
Seixal, 8 de Abril de 2019

Hospital Nossa Senhora do Rosário

Decorreu no passado dia 27 de Março, no auditório do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, uma sessão de apresentação do Conselho de Administração renomeado, que foi divulgada no Portal do Hospital.

Durante a sessão, apenas falou o presidente do Conselho de Administração (CA). Durante a sua intervenção, e perante uma audiência de várias dezenas de pessoas de vários grupos profissionais, mencionou alguns acontecimentos relacionados com o processo de violação da confidencialidade dos dados clínicos dos doentes, denunciado pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul, e acusou um médico, que não identificou, de usar o seu correio electrónico pessoal para enviar dados clínicos dos doentes para o exterior.

Afirmou que o mesmo teria entregue o excerto do diário clínico de um doente, desse Centro Hospitalar, divulgado num bloco noticioso da SIC no mesmo dia da visita do Bastonário da Ordem dos Médicos ao Hospital.

Esta insólita atitude do reconduzido Presidente do CA do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, acompanhado pelos outros membros da Administração presentes na sala, é antes de mais, uma atitude imprópria, ao expressar publicamente um conjunto de afirmações caluniosas, com a intenção de denegrir o bom nome de um médico da instituição, tornando todos os médicos alvos de suspeita.

Trata-se de uma manifestação de prepotência política, ao tentar condicionar e intimidar os seus funcionários, e em especial os médicos, que denunciam a má gestão deste Conselho de Administração desde o seu primeiro mandato.

A Direcção do Sindicato dos Médicos da Zona Sul repudia esta atitude que visa apenas culpar um médico por uma situação gravosa. Lembrar que a Comissão Nacional de Protecção de Dados já aplicou uma coima de 400 mil euros a este Conselho de Administração por ter permitido o acesso indevido de pessoal não médico a dados confidenciais dos doentes. Transferir agora uma suspeita para um médico sem nome, é impróprio de alguém com responsabilidade máxima na instituição e a acusação é demasiado grave. 

A Direcção do Sindicato dos Médicos da Zona Sul solicita ao Ministério da Saúde posição célere sobre esta inaceitável atitude do seu nomeado, reservando-se o direito de processar judicialmente o referido administrador.

Circular Informativa

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) enviou uma circular-informativa, onde informa sobre o regime de remuneração dos médicos em exercício de funções dirigentes.

Consulte aqui o documento: Circular Informativa n.º 5/2019/ACSS sobre «Exercício de funções dirigentes - Carreira Médica».

Pediatra

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) tomou conhecimento de uma comunicação enviada pela Direcção clínica do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Almada-Seixal aos médicos a informar de uma reorganização do atendimento de doença aguda em idade pediátrica.

Face à incapacidade do Hospital Garcia de Orta (HGO) em assegurar as escalas do Serviço de Urgência (SU) de Pediatria, vem a Direcção do ACES referir que a partir de 8 de Abril as crianças triadas como verde e azul serão reencaminhadas para os centros de saúde.

Surpreendentemente, a Directora clínica do ACES sugere que sejam os enfermeiros das Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSPs) a «avaliar e orientar grande parte das situações» de doença aguda.

Trata-se de um intolerável ataque à qualidade dos cuidados prestados às crianças e jovens, privando-os da devida observação pelos médicos, que são os profissionais que detêm as competências técnico-científicas necessárias à avaliação e orientação clínica.

O SMZS lamenta o papel servil da Direcção do ACES perante a administração do HGO, a que não será alheio o rodopio das portas giratórias dos comissários políticos nomeados, incapaz de impedir a sangria de médicos pediatras que se tem verificado naquele hospital.

Esta mesma administração hospitalar não tem sequer cumprido com os pagamentos aos médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) da escala do SU, confirmando-se uma total falta de respeito pelos profissionais e pelos utentes.

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