Informações

Imagem informativa com a palavra «COMUNICADO» e os logótipos do Sindicato dos Médicos da Zona Sul e da FNAM. Ao fundo, destaca-se o rosto de uma mulher com um padrão geométrico de reconhecimento facial e linhas de dados biométricos.
21 agosto 2026

SMZS apresenta participação à Comissão Nacional de Proteção de Dados sobre registo biométrico de assiduidade no SESARAM

O Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) decidiu implementar um novo sistema de controlo de assiduidade, recorrendo simultaneamente ao cartão de identificação e à biometria facial. Para o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) é fundamental assegurar que os dados pessoais estão salvaguardados. Atendendo à falta de informações sobre o processo e às preocupações levantadas pelos médicos, o SMZS apresentou uma participação à Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD).

Para o SMZS, o que está em causa não é o controlo da assiduidade, mas a escolha da biometria facial como meio para o realizar, por se tratar de um método intrusivo que não decorre de nenhuma obrigação legal. O Sindicato exige que esta medida seja devidamente justificada e transparente, sem desrespeitar a proteção de dados. O parecer do Encarregado da Proteção de Dados foi favorável, mas condicionado, o que levantou questões pelos médicos do SESARAM, que estão a ser obrigados a aderir a esta forma de controlo de assiduidade.

Perante esta situação, o SMZS interpelou o Conselho de Administração e o Encarregado da Proteção de Dados do SESARAM, de forma a obter as informações necessárias, e apresentou uma participação à CNPD, com o objetivo de aferir a legitimidade e a adequação do registo biométrico, da transparência da informação prestada aos profissionais, a robustez das salvaguardas tecnológicas – fornecidas por uma empresa externa –, a disponibilização de alternativas e as possíveis consequências disciplinares ou laborais deste sistema.

Em resposta ao SMZS, o SESARAM reconheceu que os dados biométricos são uma categoria especial de dados pessoais e apresentou documentação técnica que sustenta que são utilizados templates biométricos e não o armazenamento de imagens faciais originais.

Persistem, contudo, questões essenciais por esclarecer. O SESARAM não demonstrou suficientemente por que optou por esta solução, existindo outras menos intrusivas de controlo de assiduidade, como cartões, registo eletrónico não biométrico, validação hierárquica, registo manual e outras soluções mistas. Faltam também regras claras para falhas e divergências e falta provar se este sistema está preparado para as especificidades do trabalho médico – que inclui trabalho em serviço de urgência, regimes de prevenção, prolongamento de atos clínicos e de consultas, passagem de turnos e trabalho suplementar.

O SMZS defende ainda que nenhuma divergência no sistema possa determinar automaticamente faltas, descontos remuneratórios ou consequências disciplinares sem validação humana e possibilidade efetiva de correção pelo trabalhador.

O SMZS continuará a acompanhar de perto a implementação do sistema, exigindo ao SESARAM os esclarecimentos e garantias ainda em falta. O Sindicato mantém igualmente disponível o apoio sindical e jurídico aos seus associados, nomeadamente perante situações de pressão para recolha de dados biométricos, dificuldades no registo ou correção da assiduidade ou eventuais consequências laborais ou remuneratórias associadas ao novo sistema.

Imagem de fundo a mostrar a entrada envidraçada da "Unidade de Saúde Pública" com um retrato e o nome de Francisco George em grande destaque na parede. Em primeiro plano, no canto inferior, há um grafismo de um balão de fala em fundo vermelho e branco com a palavra "COMUNICADO", acompanhado pelos logótipos do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).
29 julho 2026

Mudança forçada das instalações da Unidade de Saúde Pública da ULS Santa Maria prejudica utentes e profissionais

O Conselho de Administração (CA) da Unidade Local de Saúde (ULS) Santa Maria decidiu, unilateralmente e sem qualquer consulta ou discussão prévia, alterar o local de trabalho de mais de 30 profissionais de saúde que trabalham na Unidade de Saúde Pública (USP) Francisco George, incluindo a equipa de médicos de saúde pública, autoridades de saúde e médicos internos da especialidade.

No início do mês de julho, estes profissionais foram informados de que o seu atual local de trabalho deixará de ser o Centro de Saúde de Sete Rios e passará a ser no Centro de Saúde da Alta de Lisboa, em data ainda por determinar. O Centro de Saúde da Alta de Lisboa está localizado numa zona limítrofe do concelho de Lisboa, na freguesia de Santa Clara, tendo sido originalmente construído para aí instalar, entre outros serviços, uma Unidade de Saúde Familiar (USF), entretanto fora de funcionamento.

Esta mudança forçada de instalações constitui um autêntico ataque à Saúde Pública e uma clara desvalorização dos seus profissionais, numa altura em que deveria ser dada uma maior centralidade à atuação desta especialidade, no contexto da generalização das ULS no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Constitui, igualmente, um abandono da população das freguesias de Santa Clara e do Lumiar, onde vivem dezenas de milhares de pessoas sem uma Unidade de Saúde Familiar de proximidade.

O CA justifica esta mobilização forçada com a instalação temporária de uma nova USF em Sete Rios, que depois será transferida para o recinto do Hospital Pulido Valente, atribuindo médicos de família a residentes das freguesias de Santa Clara e do Lumiar. 

É incompreensível que o CA opte por criar uma resposta distante desta população, "empurrando" médicos de Saúde Pública para fora do seu local de trabalho e comprometendo os serviços que a USP presta à comunidade. De referir que a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados Santa Clara e Lumiar, a funcionar neste Centro de Saúde da Alta de Lisboa, regista a percentagem mais alta de utentes sem médico de família de toda a ULS (90,5%), comparativamente à média da própria ULS (32,2%).

Há que defender a manutenção da USP Francisco George em Sete Rios, garantindo a acessibilidade da população aos serviços que presta, nomeadamente Consulta do Viajante, Centro de Vacinação Internacional, Consulta de Infeções Sexualmente Transmissíveis, Centro de Rastreios Oncológicos, resposta a emergências em saúde pública, entre outros.

Os profissionais da Unidade de Saúde Pública entregaram um abaixo-assinado com essas mesmas reivindicações, tendo-se dispondo a colaborar na procura de soluções alternativas, aguardando resposta do CA. De referir que em janeiro do ano passado, estes profissionais tinham enviado uma Proposta de Reorganização da Saúde Pública na ULS Santa Maria, à qual o CA nunca respondeu

O SMZS defende que as instalações da USP Francisco George permaneçam no Centro de Saúde de Sete Rios, tendo em conta os impactos negativos para os profissionais e, acima de tudo, para a população que necessita de cuidados de saúde acessíveis e de qualidade.

Imagem promocional de um comunicado do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM). O fundo é uma vista panorâmica aérea da cidade de Setúbal, Portugal. Em primeiro plano, uma paisagem verdejante de campos agrícolas e áreas arborizadas estende-se em direção à cidade densamente urbanizada, com o estuário do Sado e a Península de Tróia ao fundo. Na parte inferior, destaca-se uma barra em tom castanho-avermelhado com a palavra "COMUNICADO" em letras grandes sobre um balão de fala, acompanhada pelos logótipos do SMZS e da FNAM no canto inferior direito.
28 julho 2026

SMZS alerta para a enorme escassez de médicos de família no distrito de Setúbal

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) manifesta a sua preocupação pela enorme escassez de médicos de família no distrito de Setúbal – entre 1 milhão de habitantes, 300 mil não têm médico de família.

Os 300 mil utentes sem médico de família estão distribuídos do seguinte modo pelas quatro Unidades Locais de Saúde (ULS) do distrito: 63 mil na ULS Almada-Seixal; 93 mil na ULS Arco Ribeirinho; 100 mil na ULS Arrábida; 32 mil na ULS Litoral Alentejano.

Face aos números atuais, o distrito de Setúbal necessita de 186 médicos para garantir a cobertura da população.

O problema é mais grave se tivermos em conta que, até 2030, está prevista a aposentação de cerca de 60 médicos de família no distrito de Setúbal, o que equivale a uma cobertura de, sensivelmente, 100 mil utentes.

O SMZS-FNAM destaca que os cuidados de saúde primários são basilares para o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e que os médicos de família são fundamentais na prevenção da doença, no diagnóstico precoce, acompanhamento de doença crónica, bem como são o garante do planeamento familiar e acompanhamento a grávidas e crianças.

O SMZS-FNAM defende o funcionamento adequado dos cuidados de saúde primários no distrito de Setúbal e que, para tal, o Governo tem de tomar medidas de reforço da carreira médica, por forma a fixar mais médicos no SNS.

Fotografia em preto e branco de Purificação Araújo, de óculos e bata, olhando para baixo. Sobreposta, há uma tarja vermelha escura com um balão de fala branco escrito "COMUNICADO", os logotipos do Sindicato dos Médicos da Zona Sul e da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).
24 julho 2026

Maria da Purificação Araújo (1926-2026)

É com profundo pesar que o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) toma conhecimento do falecimento de Maria da Purificação Araújo, associada n.º 22 do SMZS.

Reconhecida como a «mãe do planeamento familiar» em Portugal, Purificação Araújo dedicou a sua vida à defesa dos cuidados materno-infantis, dos direitos sexuais e reprodutivos e à emancipação das mulheres. O seu percurso pioneiro marcou de forma indelével a história da medicina e da saúde na sociedade portuguesa, antes e depois do 25 de Abril, bem como a construção do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Enquanto uma das primeiras associadas do SMZS, participou no fortalecimento do movimento sindical médico.

À sua família, amigos e colegas, o SMZS-FNAM endereça as mais sentidas condolências, prestando tributo à memória e ao legado de uma mulher e médica exemplar.

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