SARS-CoV-2

Diretor Executivo do ACES Almada-Seixal culpa profissionais de se infetarem com COVID-19

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) tomou conhecimento de uma comunicação do Diretor Executivo (DE) do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Almada-Seixal dirigida aos coordenadores das unidades de saúde, na sequência de surtos por COVID-19 em quatro Unidades de Saúde Familiar (USF), referindo que se têm registado, nos últimos dias, alguns profissionais positivos, «mas muitos em isolamento profilático, decorrente de contactos de risco, em períodos de refeição e pausas de café».

 

Para além destas afirmações, dizia o DE que tais comportamentos «“descuidados", colocam em causa a capacidade operacional das unidades, privando os utentes do acesso a cuidados de saúde».

O SMZS deplora este tipo de atitude por parte de um DE, exigindo um pedido de desculpa aos profissionais que todos os dias contactam com utentes potencialmente infetados e que muitas vezes precisam de comprar os seus próprios equipamentos de proteção individual para garantir a sua própria segurança (fatos de circulação, socas, protetores oculares, acrílicos…).

O SMZS não aceita a desresponsabilização desta chefia que se mostra incapaz de assegurar a existência de espaços seguros dentro das suas unidades nem o adequado stock de luvas e máscaras, levando a que os profissionais utilizem a mesma máscara durante todo o dia de trabalho, ultrapassando o limite de tempo considerado seguro.

Foi também este DE que pressionou as unidades para cessar as triagens à entrada, colocando à porta das unidades assistentes operacionais, com consequente aumento do risco de contágio, não só para os profissionais como também para os próprios utentes. Decidiu ainda acabar com os horários em espelho, facto que culminou numa excessiva acumulação de profissionais à mesma hora.

O Diretor Executivo que acabou com a triagem à porta e que se revela incapaz de assegurar que os aparelhos de ar condicionado funcionem de modo a garantir a necessária ventilação dos gabinetes, vem agora desresponsabilizar-se e culpar os profissionais pelos contágios.

O SMZS exorta a que sejam garantidas as devidas condições de segurança aos médicos e outros profissionais que dão o seu melhor no combate à pandemia, em condições de risco e penosidade acrescidas, cabendo ao DE do ACES assegurá-las.

Lisboa, 30 de outubro de 2020
A Direção do SMZS

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